2012-06-19

OMG


Ando a reler "O Ano da Morte de Ricardo Reis"... o meu Saramago favorito... 


Na realidade entendo-me mais com o "homem natural" de Alberto Caeiro, do que com o
estoico Ricardo Reis, mas a este meu condicionalismo filosofo-heteronímico... pontapé gramatical, semântico, e no malfadado acordo... sobreviverá a obra do mestre.

Com um olho bem aberto, e outro meio fechado… a leitura é um poderoso narcótico, anestesia de
prazer… no meu sacrossanto quarto… soa bem… ando por ali perdido, página
puxa página, percorrendo a Baixa com o odírico, até que um alinhamento de espaços me
desperta:

"Aos deuses peço só que me concedam o nada lhes pedir...", escreveu o laureado!

Perspetivei logo ali uma rara epifania. Não aconteceu, não que a bela frase não fomente a
Inspiração… ou que a inspirada frase não transporte a Beleza… mas talvez porque não tinha
que acontecer.

Mas ficou cá, a soar, como os sinos da aldeia do Pessoa… “que já a primeira pancada tinha o
som de repetida”… e não pude evitá-lo, publiquei-a no meu mural… adoro esta palavra, mural, quem a adaptou ao facebook merecia, no mínimo, um considerando… que é onde todos vamos descobrindo a perfídia dos outros e o nosso próprio injustiçamento, sabedoria que brota de algumas apps. bem intencionadas.

Muito se tem pedido aos deuses. Caso existam… no que creio, evidentemente, pois no mais profundo do meu ser... como se costuma dizer... sinto a sua memória… muito eles nos têm
concedido, e muito eles nos têm negado, ou não fossem deuses, que não existem para cumprir
o nosso destino.

Mas nada pedir aos deuses, é como largar um vício, e quando se larga um vício, a vida fica um
pouco só, só um pouco, mais monótona, sem sal...