2005-06-24

Meu amor

Escrevo com a amargura que me vai na alma que me roi os nervos que me corta cerce as articulações que não resistem à dor intensa que provoca a serrilha que a tua mão tão habilmente maneja que investida atrás de corte rompe a minha carne donde jorra em jacto negro o pus escarlate das minhas veias.

Ranjo os dentes que chiam que libertam chispas sem cor enquanto a dor perfura os meus neurónios e os meus lábios se retorcem num esgar de dor, perfidia intensa, ilógica, dor, dor, dor, não suporto as lágrimas que descem pelos sulcos da minha face e queimam quando o seu sal amargo banha as feridas por ti provocadas, meu amor.

A música

Gostava de ser música, só isso.
Uma nota só, um sol, um dó ou um si bemol.
Guitarra ou piano tanto fazia, saxofone, melodia, distorção com mel ou limão.
Uma nota fecundada ao ritmo dos flancos, das coxas rasgada.
Uma nota franca, transparente, que fizesse tossir de encanto, por vezes de espanto.
E claro, com muita sensibilidade e alguma verdade.

Não é pedir muito.

HOJE

Hoje apetece-me escrever tudo ver tudo o que a escrita fabrica deste lado quando do outro solto os símbolos no plástico electrizado e o magneto os atrai e encanta o negro no branco aqui, deste lado

2005-06-23

King James' Bible

Ando a ler a Bíblia, a versão de King James, a qual parece ter sido a versão standard na Europa, ao longo de mais de 300 anos.

Engraçado, tenho-a há uma dezena de anos quando uma professora, que alinhava pelas suas praxes muito próprias, me obrigou a comprá-la. Não gostava dela, nunca lhe perdoarei a arrogância e o desprezo com que me tratou, a mim, um génio.

Talvez por isso só a comecei a ler o ano passado, aos poucos, sem pressas. Tem muitas páginas, novecentas e tal, as folhas são daquelas finas, tem partes muito aborrecidas e muito gagas.

Também tem daqueles episódios que todos conhecemos, aqueles que ao longo dos tempos cresceram mais que o mundo, como aquele da baleia ou a história dos dois irmãos do Egipto e das águas que se abrem, e Noé, e o resto.

Alguns são cruéis e reveladores, plenos de múltiplos sentidos dizem, mas o que me choca, e já li muita coisa na vida, é a ligeireza incrível com que nos são relatados, por vezes em não mais de dois versículos, tipo Deus acordou para implicar e pronto, e a relevância que adquiriram na nossa cultura judaico-cristã.

Não que isso me preocupe , aprendi a viver com os meus fantasmas, religiosos e outros. E a verdade é que ainda me passeio pelo Velho Testamento e por lá andarei mais uns tempos, ao ritmo a que folheio as folhas.

Enfim, não sei, ando a ler, não li.

2005-06-22

Isto assim não pode continuar

Isto assim não pode continuar!
Assim não pode continuar!
Não pode continuar!
Pode continuar!
Continuar!
!
Continuar!
Pode continuar!

Que remédio...